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sexta-feira, 3 de maio de 2013



Prós e contras da natação para bebês

Fonte: jornal do comércio, recife 1998



Com apenas 3 meses, o bebê mergulha na piscina, bate pernas e bracinhos e, com a ajuda da mãe ou de um professor, vem à tona, sem engolir água. Esta é a idade em que escolas de natação recebem bebês para aulas individuais de 30 minutos em média. A idéia é estimular o desenvolvimento psicomotor do bebê e, ao mesmo tempo, ensiná-lo a respirar.
"Quanto mais cedo o bebê começa a natação, mais relaxado ele ficará na água porque mais nítidas serão suas lembranças de sua vida uterina, quando ele vivia satisfeito num mundo aquático e quentinho. A aula de natação, adaptada para bebês, é afetiva e deve ter sempre a participação da mãe", diz a professora Ana Claudia Aragão, coordenadora de natação.
A proposta é polêmica. Maria da Gloria Carvalho, por exemplo, tirou a sua filha de 7 meses da natação após duas otites consecutivas. Para a professora Ana Claudia, no entanto, os riscos da natação para bebês se referem mais à capacidade dos professores e ao ambiente das aulas do que à própria criança. "A piscina deve ser limpa e quentinha e o professor deve ser especializado", aconselha Maria da Glória.
Segundo ela, há professores que ficam ansiosos para mostrar aos pais os mergulhos do bebê e acabam fazendo-os mergulhar demais ou ficar tempo demais debaixo d'água. "O bebê só deve mergulhar depois de um mês de natação e, ainda assim, dará um só mergulho por aula", ensina.

SEIS MESES - A veterana campeã brasileira de natação Patrícia Amorim, atualmente coordenadora da natação, não recomenda a natação para bebês menores de 6 meses. "Um bebê de 3 meses tem apenas movimentos reflexos e não enxerga direito. É muito frágil. Não há contra-indicação fisiológica, mas recomendo natação para depois dos 6 meses, quando o bebê já tomou as segundas doses de todas as vacinas e percebe o corpo, além de movimentar a mão. Aí ele já consegue receber algumas informações", diz.
Outro perigo para o bebê de 3 meses é a água da piscina que, por mais cuidada que seja, segundo Patrícia Amorim, sempre vai oferecer algum risco para uma criança tão indefesa. "Eu tenho a maior preocupação com a limpeza das piscinas e sei que mesmo a piscina mais limpa pode ter um cano com ferrugem que afeta a qualidade da água. Um bebê de 3 meses estará sempre sob risco de uma inflamação de ouvido, o que a mãe nem sempre percebe de imediato. Se o bebê fica mergulhando com o ouvido inflamado, piora e sofre muito mais dores", adverte.
A campeã esclarece que bebê algum aprende a nadar antes de 2 anos. Ele apenas se defende nesta idade. Mergulha na água e volta, mas não sabe nadar e pode se afogar se não tiver ajuda. "O mais novo que eu já vi nadar os quatro estilos tinha 3 anos. É raro. A criança só sabe nadar a partir dos 4 ou 5 anos. Vítor, meu filho de 1 ano, não vai todo dia à natação. Agora, que está muito frio, ele não tem ido. Ele faz natação para desenvolver sua capacidade respiratória e psicomotora. Não é para sair nadando. O professor de um bebê de 3 meses não dá uma aula. Dá apenas um banho na criança", comenta.
A professora Luciene Ávila lembra que o estímulo feito durante a aula de natação para bebês de 3 meses pode ser feito pelos pais em casa, numa banheira ou fora da água. "Os benefícios não são tão significativos nesta idade. Podem ser obtidos em casa, sem o desgaste de sair com o bebê de casa, muitas vezes no frio, para uma aula de natação", diz.
Já a pediatra Anayr Rocha Campos acha que a natação é altamente benéfica para crianças alérgicas a partir dos 4 meses. "Para uma criança com alergia diagnosticada, com tendência a bronquite ou a rinite alérgica, a natação é ótima porque ela aprenderá a respirar e vai melhorar da alergia. Para crianças normais, a natação é recomendada a partir dos 6 meses, porque ela já tomou a segunda dose das vacinas. Não há riscos de otites ou infecções. Hoje, sabemos que a natação para bebês é benéfica", afirma.
A professora Marcia Nappo sugere que o pediatra avalie as condições de cada bebê para começar a nadar. "Nós aceitamos crianças a partir de 4 meses, em aulas individuais, sem as mães. Os possíveis problemas de ouvido ficam a critério médico. Se a criança tem tendência a otite, usamos tampão de ouvido. A natação é reconhecidamente benéfica para estimulação sensorial e psicomotora", justifica.
Marcia Nappo derruba outro mito de que a natação no inverno provoca gripes e resfriados. A maioria das mães retira os alunos nesta época, mas, segundo a professora, se o aluno já fazia aula, ocorrerá o contrário. "Como qualquer atleta que interrompe seus exercícios, ele perderá sua resistência e pode até se resfriar", diz.

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